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Saúde

Dengue: Brasil bate recorde de mortes pela doença em 2023

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País registrou 1.079 vidas perdidas pela doença até o último dia 27; outros 211 óbitos estão em investigação.

O Brasil bateu, em 2023, o recorde de ano com mais mortes causadas pela dengue. De acordo com o painel de monitoramento das arboviroses, mantido pelo Ministério da Saúde, são 1.079 óbitos confirmados até o último dia 27, além de outros 211 que estão em investigação.

Antes, o ano com mais vítimas fatais era 2022 que, segundo a última atualização da série histórica da pasta, contabilizou 1.053 vidas perdidas. No ano passado, foi também a primeira vez que o país ultrapassou a marca de mil mortes pela doença em apenas 12 meses.

Em relação aos casos, o painel mostra que foram 1.641.278 diagnósticos prováveis da infecção pelo vírus até agora em 2023, 52.160 com evolução para hospitalização. O número é 17,8% mais alto que o total registrado no ano anterior – 1.393.684. Porém, permanece abaixo de 2015, quando o Brasil atingiu o recorde de 1.688.688 casos de dengue.

A dengue é uma doença cíclica, que provoca um número maior de casos geralmente de três em três anos. No entanto, na última década os diagnósticos e desfechos mais graves da doença têm alcançado patamares mais elevados. Antes de 2010, por exemplo, o Brasil nunca havia registrado mais de um milhão de casos – algo que ocorreu 7 vezes desde então.

Os números do Ministério da Saúde são baseados nos dados inseridos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan online). Em nota, a pasta diz que repassou R$ 256 milhões para todo o país para reforçar o enfrentamento contra a doença e que “instalou uma Sala Nacional de Arboviroses, espaço permanente para acompanhar em tempo real os locais com maior incidência de dengue, zika e chikungunya para preparar o Brasil em uma eventual alta de casos nos próximos meses”.

Além disso, afirma que cerca de 12 mil profissionais de saúde foram capacitados em 2023 para manejo clínico, vigilância e controle de arboviroses e que “vai investir R$ 256 milhões no fortalecimento da vigilância” das doenças.

O ministério destacou ainda como medidas de combate à doença a incorporação da nova vacina contra a dengue na rede pública, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda e aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início deste ano.

A Qdenga recebeu o aval para indivíduos de 4 a 60 anos, é aplicada em duas doses, com um intervalo de três meses entre elas, e demonstrou nos testes clínicos uma eficácia geral de 80,2% para evitar contaminações e de 90,4% para prevenir casos graves.

Ela já está disponível na rede privada do país, com valores para o esquema completo que vão de R$ 800 a R$ 1 mil. No Sistema Único de Saúde (SUS), a expectativa do ministério é que a estratégia de quais públicos serão contemplados seja definida ainda em janeiro, e que a imunização tenha início logo depois.

A previsão do laboratório é começar a entregar as doses em fevereiro e totalizar 5,082 milhões de aplicações até novembro. O total é suficiente para imunizar cerca de 2,5 milhões de brasileiros, por isso a necessidade de estabelecer grupos prioritários.

“O Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público universal. A vacinação será focada em público e regiões prioritárias diante da quantidade limitada de doses fornecida pelo fabricante”, diz o ministério.

Em outubro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o uso da Qdenga por lugares com carga e transmissão elevadas de dengue. Disse que a doença “representa um fardo significativo para a saúde pública em países endêmicos” e alertou que esse impacto “deverá aumentar ainda mais, tanto em termos de incidência como de expansão geográfica, devido às alterações climáticas e à urbanização”.

“Essa é a primeira vacina contra dengue com potencial para uso mais amplo. Muitos países estão enfrentando surtos devastadores de dengue e prevemos o agravamento geral da situação com as alterações climáticas”, disse na época a chefe do Departamento de Segurança Sanitária do Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar, presidente do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização da OMS (SAGE, da sigla em inglês), Hanna Nohynek, em coletiva de imprensa.

A organização aconselhou que o imunizante, feito de vírus atenuado, seja adotado para crianças de 6 a 16 anos. “Nessa faixa etária, a vacina deve ser introduzida cerca de 1 a 2 anos antes do pico de incidência de hospitalizações relacionadas à dengue, específico para a idade”, disse.

Na última semana, a OMS também afirmou que o Brasil é o país com mais casos de dengue no mundo, responsável por mais da metade dos diagnósticos registrados globalmente. As informações são do jornal O Globo.

FONTE: O SUL

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