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Saúde

Dengue: infectologista responde se quem teve a doença uma vez está protegido

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Há quatro sorotipos diferentes da dengue.

Muita gente que já teve dengue pode estar se perguntando se corre risco novamente nessa epidemia ou se já está imunizado.

Mas, infelizmente, não. A doença não confere imunidade. Mesmo que alguém tenha tido dengue recentemente, pode ter de novo. Isso acontece porque existem quatro sorotipos de dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DEN-V 4) e eles não dão imunidade cruzada. Ou seja, um mesmo indivíduo pode ter quatro episódios de dengue ao longo da vida.

De acordo com infectologistas, como Julio Croda, da Fiocruz, há até um agravante: um segundo caso da doença pode ser mais perigoso do que o primeiro (e assim sucessivamente). Isso acontece porque o sistema imunológico pode entender que a nova infecção é igual à anterior, quando, na verdade, ela é causada por um sorotipo diferente. Nesse caso, o organismo produz anticorpos contra o invasor errado, o que gera uma resposta imune ineficiente, que não neutraliza o vírus. O vírus continua a se multiplicar e devido à essa alta viremia, há maior risco de hospitalização e óbito. No entanto, isso não significa que o primeiro caso da doença será necessariamente leve.

Assim, em caso de suspeita, é preciso procurar atendimento médico.

Avanço da doença

De acordo com dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, o Brasil já superou a marca de 130 óbitos por dengue. São 135 mortes confirmadas e 481 em investigação.

Além disso, o número de casos já ultrapassa 715,6 mil, mais de um terço de todos os diagnósticos identificados em 2023 (1.658.816). O contabilizado em janeiro, por exemplo, foi 416% maior do que o registro do mesmo mês no ano passado.

Segundo projeções da pasta, o País deve chegar a inéditas 4,2 milhões de infecções até o fim 2024. A cifra preocupa especialmente pelo ano passado já ter sido o segundo pior ano da série histórica em relação aos casos – atrás apenas dos 1.688.688 de 2015 – e o com mais mortes já registrado, 1.094 óbitos.

Sintomas

A dengue pode variar desde uma doença assintomática (ou seja, sem manifestação de sintomas), até quadros graves com hemorragia e choque, podendo causar morte.

Normalmente, o primeiro sintoma da dengue é a febre alta (39° a 40°C) de início repentino, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos e erupções cutâneas. Também é comum ocorrerem náuseas e vômitos, que resultam em perda de peso.

Nessa fase febril, é difícil diferenciar a doença de outras enfermidades. Por isso, é importante consultar um médico em caso de suspeita.

No período de diminuição ou desaparecimento da febre, a maioria dos casos evolui para a recuperação e cura da doença. Porém, algumas situações podem evoluir para as formas mais graves da doença, apresentando os seguintes sinais de alarme:

* Dor abdominal intensa e contínua, ou dor quando o abdome é tocado;

* Vômitos persistentes;

* Acúmulo de líquidos;

* Sangramento de mucosas (principalmente nariz e gengivas);

* Letargia (perda de sensibilidade e movimentos) ou irritabilidade;

* Hipotensão postural (tontura e queda de pressão em determinadas posições)

* Hepatomegalia (aumento do fígado) maior do que 2 cm;

* Aumento progressivo do hematócrito (porcentagem de glóbulos vermelhos ou hemácias no sangue).

Nos casos mais graves, esses sintomas resultam em choque, que acontece quando um volume crítico de plasma é perdido. Os sinais desse estado são pulso rápido e fraco, diminuição da pressão, extremidades frias, pele pegajosa e agitação.

Alguns pacientes podem ainda apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade. O choque tem duração curta, e pode levar ao óbito em 12 a 24 horas, ou à recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada.
FONTE:O SUL

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