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Economia

Economistas projetam crescimento de 3% para o Brasil em 2023 e de 1,6% no próximo ano

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A taxa de crescimento da atividade econômica deve cair quase à metade na passagem de 2023 para 2024. Para o ano que vem, os economistas esperam que a ajuda extraordinária do agronegócio e o impulso dos estímulos fiscais da PEC da Transição, fatores que fizeram diferença em 2023, principalmente na primeira metade do ano, devem sair de cena num ambiente em que a política monetária apertada ainda deve afetar a atividade, mesmo com a esperada continuidade de corte gradual da taxa básica de juros.

Economistas ressaltam, porém, que o crescimento de 2023 ficou concentrado no primeiro semestre, com ritmo muito mais fraco a partir do terceiro trimestre, o que explica a perspectiva de esfriamento da economia em 2024. Dados do IBGE mostram que a taxa acumulada de crescimento do PIB até o primeiro semestre foi de 3,8%. Até setembro desacelerou para 3,2%, sempre em variações em relação a igual período de 2022.

“A sensação térmica é que chegamos na virada de 2023 para 2024 com uma economia que parou, só que, quando a gente olhar o resultado fechado do ano, vai ter crescido 3%, uma beleza”, diz Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg. “Aí, a gente entra em 2024 com essa situação de uma perspectiva ruim, porque ainda não tem muito os efeitos do afrouxamento monetário. A partir do segundo trimestre de 2024, a economia pode começar a ensaiar melhora, mas deve ficar mais forte ao longo do segundo semestre. Não esperamos para o primeiro semestre de 2024 um desempenho espetacular como em 2023.”

Mais otimista, César Garritano, economista-chefe da Somma Investimentos, espera alta de 1,9% para o PIB em 2024. Para 2023, a projeção é crescer 3%. “É uma economia praticamente parada ao fim deste ano. Para 2024, nossa projeção está um pouco acima do consenso de mercado, mas ainda assim é preciso destacar que haverá desaceleração.”

Ele aponta como pontos favoráveis os precatórios, “para os quais ainda não fechamos a conta, mas que achamos que podem ajudar algo em torno de 0,2 a 0,3 ponto percentual no crescimento, porque é mais dinheiro circulando na economia.”

Agronegócio

Depois do cenário muito favorável do agro em 2023, Cecilia Machado, do Bocom BBM, espera estabilidade para o setor em 2024, mas esse comportamento, aponta, pode ter efeito negativo em outras partes do PIB. O agronegócio, diz, está em torno de 30% da economia quando se considera toda a cadeia, incluindo efeitos em serviços e na indústria.”

Para Machado, a incorporação desses impactos indiretos relativos à expectativa de crescimento zero para o agro explica, em parte, a projeção do banco de 1,2% de alta para o PIB em 2024, estimativa 0,4 ponto percentual abaixo da mediana da pesquisa. Para 2023, o banco espera avanço de 2,9%.

Para Livio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) os sinais de quebra de safra em 2024 em razão de questões climáticas são robustos, num momento em que a indústria, principalmente a de transformação, não deverá reagir fortemente no curto prazo em razão de problemas estruturais e no qual o setor de serviços “pode ter alguma aceleração, mas somente ao fim do ano, sem que isso possa ser visto muito em 2024”.

A BRCG projeta alta de 1,2% para o PIB em 2024. Para 2023 o crescimento estimado é de 2,8%, o que deve levar a carregamento estatístico zero para 2024, prevê Ribeiro.

Setor externo

Em 2024, o setor externo também não deve trazer a mesma ajuda de 2023, aponta Garritano. “Devemos ter uma desaceleração global em 2024, incluindo nossos principais parceiros, como Estados Unidos, China e Argentina. Especificamente para a Argentina, se as medidas do presidente Milei forem minimamente colocadas em prática, o país vai ter um ano difícil, e isso respinga no Brasil.”

Em 2023, diz Serrano, as exportações vão crescer bem mais do que as importações, e o impacto do setor externo sobre o crescimento será importante. “Para 2024, eu esperaria uma contribuição um pouco mais neutra, com o crescimento de exportações e importações mais parecido. Acho até que as importações podem acabar crescendo um pouco mais do que as exportações, gerando um efeito líquido negativo para o PIB.”

FONTE: O SUL

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