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Tecnologia

20 anos de Facebook: de rede de amigos à de manipulação

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Os perigos da mídia social vêm sendo tema de ampla discussão.

Maior plataforma social do mundo nasceu como esperança. Duas décadas depois, é acusada de gerar polarização social, prejudicar jovens e fazer uso indevido de dados privados. O Facebook, a maior rede social do mundo, completou 20 anos no domingo (4). Mais de 3 bilhões de pessoas estão ativas em suas páginas pelo menos uma vez por mês, o que significa mais de um em cada três habitantes do planeta.

É uma história de sucesso. Mas o clima de comemoração foi ofuscado para o fundador da plataforma, Mark Zuckerberg. Apenas alguns dias antes do aniversário, Zuckerberg foi confrontado com críticas incisivas em uma audiência no Senado dos EUA sobre a proteção inadequada de crianças e jovens nas principais plataformas da internet.

Saúde mental

Os perigos da mídia social vêm sendo tema de ampla discussão. Nos EUA, as plataformas são apontadas como parcialmente responsáveis por uma crise na saúde mental dos jovens. Em maio de 2023, Vivek Murthy, médico e chefe do serviço de saúde pública dos EUA, publicou uma recomendação especial para as mídias sociais. Nela, Murthy adverte que há “ampla evidência de que ela pode afetar severamente a saúde mental e o bem-estar de crianças e adolescentes”.

Esperança no início

O Facebook começou de forma bastante inofensiva nos primeiros dias da revolução digital, quando a internet prometia transparência e participação. Enquanto a mídia tradicional funcionava no molde “um se comunica com muitos”, essa nova comunicação de “todos com todos” parecia trazer mais liberdade, participação e democracia. O Facebook era uma rede social empolgante, na qual era possível encontrar rapidamente pessoas com os mesmos interesses, compartilhar suas fotos das férias e manter-se atualizado sobre o que seus amigos estavam fazendo.

“No início, o Facebook tinha uma autoimagem bastante altruísta: as pessoas achavam que conectar pessoas tornaria o mundo um lugar melhor”, afirma o cientista de mídia berlinense Martin Emmer.

Brutalização

No entanto, o fornecimento da infraestrutura de rede tem um preço, e os usuários pagam em dobro: com seus dados e com sua atenção.

A atenção é um bem escasso. Os anunciantes ficam felizes em gastar dinheiro com isso. Especialmente quando as mensagens podem ser direcionadas especificamente a clientes em potencial graças a perfis repletos de informações precisas sobre seus donos. É por isso que os operadores de plataforma coletam o máximo possível de dados de seus usuários, com cada curtida fornecendo outro ponto de dados. E com o conhecimento detalhado dos interesses, gostos e desgostos dos usuários, suas linhas do tempo são inundadas com conteúdo que os mantém na plataforma pelo maior tempo possível.

Durante muito tempo, o impacto desse conteúdo sobre os indivíduos e a sociedade não foi levado em consideração pelos operadores da plataforma. A crescente polarização da sociedade, a brutalização cada vez maior das discussões políticas, a disseminação das mais loucas teorias da conspiração – tudo isso está associado ao Facebook e seus parceiros.

Com seu poder de comunicação, as redes sociais também podem ser usadas indevidamente para fins políticos. Em 2016, foram feitas alegações de que a Rússia havia usado o Facebook para influenciar o resultado da eleição presidencial dos EUA.

Reações

Agora, os políticos acordaram. E estão tentando recuperar o tempo perdido na corrida com os gigantes da tecnologia.

Em 2022, a UE aprovou a Lei dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês). Um dos objetivos é remover conteúdo ilegal mais rapidamente – discurso de ódio, por exemplo e proteger melhor os direitos fundamentais dos usuários, incluindo a liberdade de expressão.

FONTE: O SUL

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