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Política

Ao lado do premiê da Espanha, Lula diz que é preciso enfrentar extremismo, racismo e discursos de ódio

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (06), ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, que é preciso enfrentar extremismo, racismo e discursos de ódio. Já Sanchez afirmou que Brasil e Espanha compartilham muitos pontos, entre os quais, interesses comerciais sólidos, e que há desejo de estreitar os vínculos. O presidente brasileiro e o premiê espanhol fizeram uma declaração à imprensa no início da tarde, no Palácio do Planalto. Momentos antes, os dois assinaram atos de cooperação entre os dois países. Sem citar o jogador de futebol Vinicius Jr, atacante do Real Madri e da seleção brasileira, Lula afirmou que Brasil e Espanha “têm registrado episódios de racismo, de discriminação racial e de xenofobia, inclusive na área de esportes de grande público”. O atleta é alvo de forma frequente de atos racistas por parte de torcedores em estádios na Espanha. “Só um projeto social inclusivo nos permitirá erigir sociedades prósperas, livres, democráticas e soberanas”, disse o presidente. Lula afirmou que, na reunião com Sánchez, os dois debateram sobre a necessidade de uma discussão sobre o avanço da inteligência artificial e de soluções para o enfrentamento da desinformação. O petista disse que ele e o espanhol convergem sobre medidas de enfrentamento às mudanças climáticas. Lula destacou que o Brasil tem compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2030. O presidente também defendeu a adoção internacional de um sistema de tributação em que superricos paguem proporcionalmente mais impostos do que outras classes sociais. Citando os desafios em comum, Lula disse que é “preciso unir todos os democratas”. “Espanha e Brasil são duas grandes democracias que enfrentam o extremismo, a negação da política e o discurso de ódio, alimentados por notícias falsas. Nossa experiência no enfrentamento da extrema direita, que atua coordenada internacionalmente, nos ensina que é preciso unir todos os democratas. Não se pode transigir com o totalitarismo nem se deixar paralisar pela perplexidade e pela incerteza ante a essas ameaças.” O líder brasileiro também voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU, e citou os conflitos entre Rússia e Ucrânia, e entre Israel e o grupo terrorista Hamas. “A paralisia do Conselho de Segurança frente à guerra da Ucrânia e Gaza é prova cabal da necessidade de reforma do sistema de governança global. É fundamental avançar rapidamente na criação de Estado palestino e reconhecê-lo como membro pleno da ONU. Estado economicamente viável e que possa conviver em paz com Israel”, declarou. Discurso de Sánchez Já o primeiro-ministro disse que os países vão institucionalizar um mecanismo de diálogo. Ele destacou a importância de “defender a democracia dos ataques de extremistas”, e citou os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Sánchez declarou que o Brasil é um destino atrativo para investimentos espanhois e afirmou que os países têm potencial de cooperação para o desenvolvimento sustentável. Também agradeceu o esforço de Lula para avançar na conclusão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que está em fase de revisão, sem perspectiva de entrar em vigor. Sánchez está em visita oficial ao Brasil. Em Brasília, após reunião bilateral com Lula, ele também participa de almoço no Palácio do Itamaraty e tem encontros com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O primeiro-ministro espanhol também vai a São Paulo.
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