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Enchente de 2023 em Lajeado foi a maior do Vale do Taquari em 150 anos, conclui estudo técnico

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Um estudo técnico realizado pela Universidade do Vale do Taquari (Univates), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Serviço Geológico do Brasil (SGB) concluiu que a enchente de setembro de 2023 em Lajeado foi a maior da história local desde 1873. Considerando-se que os dados de 150 anos atrás eram menos precisos que os atuais, a cheia de 2023 pode ter sido também a pior já registrada na região. Pesquisadores combinaram análises de diferentes fontes e dados compreendidos num intervalo de 84 anos, configurando uma série histórica de cheias entre 1939 e 2023. A pesquisa, elaborada na forma de um parecer detalhado, analisou as observações sistemáticas e as marcas físicas das cheias do rio, especialmente na cidade de Lajeado, e concluiu que a cheia de setembro do último ano superou em 66 centímetros da marca da inundação de 1941, tida como a maior na cidade até então. Além disso, o trabalho também revelou que a marca da cheia de novembro de 2023 se iguala à de 1941, o que torna o ano de 2023 como aquele em que duas das três maiores inundações registradas na cidade aconteceram. Os dados também apontam que 2023 teve sete elevações do nível do rio Taquari acima dos 17 metros (seis delas atingindo mais de 19 metros, cota de inundação entre Estrela e Lajeado), igualando-se aos anos de 1983 e 1984, quando também sete elevações foram registradas. Esses são os três anos compreendidos entre 1939 e 2023 com os de maiores elevações. Análises complementares Para que a população consiga avaliar melhor os riscos de uma inundação, os pesquisadores recomendam que seja realizado um estudo detalhado do comportamento do rio Taquari durante as cheias de grande magnitude, com ênfase para a análise da declividade da linha d’água, ao longo de todo o trecho no município de Lajeado e em outras cidades ao longo do rio. Além disso, recomendam que sejam elaboradas e disponibilizadas, de forma ampla e transparente, as chamadas cartas-enchente, que são mapas da área inundada correspondente a cada valor de referência medido na régua do posto fluviométrico. Os pesquisadores destacam que dados históricos e de longo prazo são importantes para a compreensão das cheias e de seus impactos na região ao longo dos anos. A partir desses dados, é possível, por exemplo, implementar medidas preventivas e de mitigação de desastres, desenvolver planos de contingência e aprimorar políticas de planejamento urbano e regulamentações de construção. Eles também contribuem para a preservação da memória das inundações passadas, pois garantem que as futuras gerações tenham acesso a informações sobre eventos que moldaram a comunidade local. Além disso, fornecem uma base sólida para estudos e pesquisas futuras, permitindo a análise das condições do território ao longo do tempo e o enfrentamento dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e outros fenômenos ambientais. O trabalho, que investiga os desdobramentos das inundações na cidade de Lajeado, é assinado pelos professores da Univates Sofia Royer Moraes e Rafael Rodrigo Eckhardt, assim como pelo professor Walter Collischonn (Ufrgs) e Franco Turco Buffon (SGB). O texto na íntegra pode ser conferido por meio deste link.
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